30 de dezembro de 2012

Não educar foi o grande erro do País no século 20


A opção por não investir em educação no auge da explosão populacional, nos anos 60 e 70, é classificada como "o grande erro coletivo da nossa sociedade nos século 20" pelos economistas Fernando Holanda Barbosa Filho e Samuel Pessôa num dos capítulos do livro 'Desenvolvimento econômico: uma perspectiva brasileira'.
Os pesquisadores, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio, mostram que o investimento em educação era de 1,4% do PIB em 1950 e de 2,4% em 1980, comparado a pouco mais de 5% atualmente. Em outro capítulo, os economistas Pedro Cavalcanti Ferreira e Fernando Veloso, também da FGV, escrevem que, em 30 anos (de 1950 a 1980), a escolaridade média dos brasileiros cresceu menos que em um ano e meio.
Em 1950, a escolaridade média da população brasileira com 15 anos ou mais era de apenas um ano e meio. Em 1960, era de 2,1 anos, e permaneceu em torno de 2,8 anos entre 1970 e 1980. Segundo Ferreira e Veloso, entre todos os países da América Latina e do Caribe, somente o Haiti possuía indicadores de escolaridade piores que os brasileiros no período de 1950 a 1980.
Nos 30 anos após 1980, o crescimento da escolaridade foi muito mais acelerado, chegando a 7,5 anos em 2010. Mas o estrago estava feito. A população brasileira saltou de pouco mais de 50 milhões em 1950 para quase 120 milhões em 1980, criando uma imensa massa de adultos com pouquíssima educação.
Veloso nota que a lacuna educacional brasileira é vista normalmente como um imenso problema social, mas também é um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento econômico. E grande parte do efeito negativo no crescimento se dá pela perda de produtividade, ou eficiência, no setor de serviços, que representa quase 70% da economia.
Modelo equivocado. Ele observa ainda que os serviços tendem a ser negligenciados pela política econômica, muito mais preocupada com a indústria. "Em toda a discussão de desoneração, os incentivos vão quase todos para a indústria - agora, por exemplo, saiu a desoneração para a construção civil, mas ninguém fala dos serviços."
Em 1950, 63,1% da população ocupada no Brasil estava na agropecuária, 17,2% na indústria e 19,8% nos serviços. Em 1980, os serviços já respondiam por 39,4% dos empregos, a indústria por 23,4% e a agropecuária, por 37,2%. Em 2005, 61,8% da população ocupada já trabalhava em serviços, enquanto 19,5% estava na indústria e os trabalhadores na agropecuária haviam caído para 18,7%. Hoje, os serviços detêm quase 70% dos trabalhadores brasileiros.
Veloso explica que o setor de serviços brasileiro, além de ser muito grande, tem um predomínio de empresas muito pequenas e pouco produtivas e trabalhadores de baixa escolaridade. Uma parte considerável dessas empresas ainda é informal.
"Isso tudo tem a ver com o modelo de desenvolvimento que adotamos no passado. A gente investiu pouco em educação, e agora estamos pagando esse preço", diz o economista.
FERNANDO DANTAS/RIO - O Estado de S.Paulo

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