Minha raça veio do meio da floresta, Eu vim no veio do rio. Fixei morada na tenra cidade, Criança cidade. Mas a cidade cresceu... Pensam que me expulsaram... Não! Eu fui embora! Não merecem meus passeios na lua cheia. A fumaça de meu cachimbo, Nunca souberam que era pra proteção. Me chamaram de velha; assombração. Eles acham que sou velha! Sou o que eu quiser ser! Fui embora! Meus assobios, que eram pra afugentar espíritos noturnos, Foram trocados por apitos de guardas Que sequer espantam mal-feitores, ladrões e gatunos. Deixe a cidade crescer, deixe-a esquecer de mim, deixe sua violência crescer; Pois volto pro mato, o meio do mato é meu lugar; Volto pro barro em que sai, pois sou da terra E não aceito a forma que eles a destroem: Concreto no lugar de chão! Lixo nos rios! Não! Voa meu pássaro, voa com canto de agouro, Pela última vez. Pra avisar o que estão fazendo, Pra avisar que estão se matando, Voa... Voa... Quem sabe...
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