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O lento avanço da educação

Embora a educação tenha melhorado nos últimos dez anos, o ritmo do avanço é tão lento que o Brasil continua perdendo a corrida educacional até para países mais atrasados da América do Sul. Essa é uma das conclusões que se podem extrair da Síntese de Indicadores Sociais de 2010, que o IBGE divulgou no final da semana passada.



A proporção da força de trabalho de 18 a 24 anos que concluiu o ensino médio ou ingressou no ensino superior, por exemplo, quase dobrou nos últimos dez anos. Esse é um dado positivo. Mas, em 2009, 32,8% dos brasileiros nessa faixa etária haviam abandonado os estudos antes de completar a terceira série do ensino médio. A taxa de evasão do ensino médio foi de 10% - ante 7% na Argentina, 6,8% no Uruguai, 2,9% no Chile e 2,3% no Paraguai.

Segundo o IBGE, praticamente todas as crianças de 6 a 14 anos frequentavam a escola em 2009. Esse também é um dado auspicioso. A universalização da oferta de matrículas no ensino fundamental foi obtida na década de 1990. Mas, devido ao ingresso tardio na escola e às reprovações, parte significativa dos estudantes não está no nível adequado à idade.

Por causa da má qualidade do ensino, o desempenho dos estudantes desse nível de ensino continua insatisfatório principalmente em matemática, ciências naturais e português. Muitos alunos não conseguem compreender um texto simples ou resolver problemas elementares. Segundo os especialistas, a diferença de conhecimento entre os alunos da 8.ª série do ensino fundamental e os da 3.ª série do ensino médio é muito pequena.

Esse é um dos fatores que têm estimulado muitos jovens a abandonar os estudos após completar 15 anos. Por isso, a escolaridade média da população brasileira com idade até 25 anos é de apenas 5,8 anos - contra 12 anos na Coreia do Sul, 13,3 anos em Taiwan e 13,4 nos EUA. Sem a formação necessária, esses jovens não se qualificam profissionalmente, sendo condenados ao subemprego. Com isso, o Brasil não forma o capital humano de que necessita para crescer. "O crescimento econômico exige maiores índices de educação e de qualificação dos jovens", diz a coordenadora da pesquisa do IBGE, Ana Lúcia Saboia.

A situação é mais grave nas áreas menos desenvolvidas. Em 2009, no Nordeste, 39,2% de jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados no ensino médio e, no Norte, 39,1%. No Sudeste, a região mais rica, a taxa é de 60,5% - e há dez anos já era superior a 42,1%.

No ensino superior, a Síntese de Indicadores Sociais de 2010 mostra o êxito dos programas governamentais de fomento e apoio, como o ProUni. Entre 1999 e 2009, dobrou o acesso à universidade das pessoas com mais de 25 anos que se declaram negras. Eram 2,3%, há dez anos, e 4,7%, no ano passado.

O levantamento também mostra que os programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, ganharam forte importância no orçamento das famílias mais pobres. Nas famílias com renda per capita de até um quarto do salário mínimo, o peso das "outras fontes", como são cadastrados esses programas, aumentou de 4,4%, em 1999, para 28%, em 2009.

Além disso, segundo o levantamento, cerca de 5 milhões de crianças entre um dia de vida e 14 anos - o equivalente a 10,9% do total nessa faixa etária - vivem em situação de risco, ou seja, em residências sem água tratada, sem rede de esgoto geral e sem coleta de lixo. O estudo mostra ainda que 39,4% dos alunos da rede de educação básica estudam em escolas sem esgoto e 10%, em colégios sem água potável. A situação mais crítica está no Nordeste, onde 19,2% das crianças não têm acesso a serviços básicos.

Embora decepcionantes, os números do IBGE não causam surpresa. Eles apenas reafirmam que o Brasil continua precisando de uma reforma radical no sistema de ensino, seja para reter os estudantes nas escolas, seja para melhorar a qualidade da educação. Apesar dos lentos avanços obtidos na última década, a formação dos estudantes brasileiros continua aquém de qualquer resultado aceitável.




O ESTADÃO

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