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Artigo: Ler devia ser proibido

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos. Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente...

Ensinar não é transferir conhecimento

Saber ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção e construção. Quando entro em sala de aula tenho que está aberto indagações, perguntas e curiosidades, um ser crítico e inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não de transferir o conhecimento. É preciso insistir neste saber. O meu discurso sobre a Teoria da extensão do conhecimento deve ser o exemplo concreto e prático. Ao falar da construção do conhecimento, criticando a sua extensão, já devo estar envolvido nela, e na construção envolver os alunos. Fora disso, me amaranho nas contradições em que meu testemunho inautêntico perde a eficácia. Torno-me tão falso e fingido quanto quem estimula a democracia por caminhos autoritários e diz que combate o racismo, mas quando é questionado sobre quem é Madalena diz que é negra, mas competente e decente. Jamais ouvi dizer que Célia é branca de olhos azuis, mas é competente e decente. No discurso perfilado de Madalena, negra, cabe...

Pesquisadores discutem biodiversidade das águas profundas do Atlântico

Iniciativas em todo o mundo têm caminhado no sentido de desvendar os mistérios dos oceanos. Muito pouco se sabe sobre a população marinha e como esse ecossistema funciona. Neste sentido, um esforço de governos e organismos internacionais preocupados com a questão tem sido empreendido no levantamento das espécies marítimas. Na próxima quinta-feira (7) e na sexta-feira (8), acontece na sede da Unesco em Paris, o workshop “Compreendendo a Biodiversidade das Águas Profundas do Oceano Atlântico: opções de conservação e uso sustentável dos recursos dos oceanos profundos”. Ainda há muito do que se conhecer.  Um exemplo é o Oceano Atlântico, um dos mais jovens de todos os grandes oceanos, formado a partir da separação da América do Sul da África há aproximadamente 90 milhões de anos atrás, e é o único que se conecta com todos os oceanos. Pesquisadores afirmam que o conhecimento a respeito de sua diversidade é escasso. Apesar de ainda ser insuficiente, o Brasil tem liderado várias pesqui...

Seminário debaterá novo mecanismo para preservação da biodiversidade

Foi lançada pelo PNUD, recentemente, mais um mecanismo para mitigar os impactos ambientais. Trata-se das “reservas de habitat” ou “habitats banking”, a mais nova ferramenta de preservação da biodiversidade. O mecanismo será debatido durante o II Seminário Amazônico sobre Sequestro Florestal de Carbono e Mudanças Climáticas, que este ano terá como tema:  Oportunidades e desafios em uma economia de baixo carbono . O evento será realizado nos dias 15 e 16 de abril proximo, promovido pela Agência ECOeventos em parceria com a OAB/RO, com apoio dos Ministérios de Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Governo do Estado de Rondônia, Seagri, Sema, Crea-RO, Ceplac-RO, entre outras instituições. “O esquema de ‘reservas de habitat’, ou ‘habitats banking’ em inglês, se aplica quando certa área é restaurada, conservada ou enriquecida visando aumentar o seu valor para a conservação. Em troca pela restauração e proteção permanente da área, o proprietário p...

Cotas para Negros: Justiça Social ou Segregação?

Por: Fábio Soares Gomes O Brasil é um país diverso. Certamente, o mais diverso e miscigenado do mundo. Se existe uma característica notória e constitutiva da nação  Brasilis  é a miscigenação. Diz-se: o Brasil é formado por negros, brancos e índios. Da mistura e da interação entre estas raças surgiram: o mulato, o cafuzo e o caboclo. É, pois, que o Brasil é uma nação que possui  na  diversidade a sua unidade. A unidade nacional  é  a síntese da miscigenação que constitui a própria nação. Desse modo, o Brasil não é nem branco, nem negro nem indígena. O Brasil tem por identidade a diferença. O que identifica o povo brasileiro é justamente a diferença. Diferença esta que não diferencia, mas, pelo contrário, identifica. A unidade nacional é a identidade a partir da diferença. Somos todos brancos, negros e índios e, ao mesmo passo, não somos nenhum deles — somos todos brasileiros! A história nos conta que nossa sociedade formou-se da interação das três raças....